Casa-Corpo (título provisório)
Julia veio do Brasil. Sezen veio da Turquia. Ambas vivem em Lisboa desde 2008, ano em que se instalou a crise económica. Viver na cidade era outra experiência, pois ainda não abundava de turistas. Numa década, mudaram algumas vezes de casa em Lisboa. Sezen seis vezes, Julia três, especificamente. Numa década, não só Julia e Sezen, mas muitos lisboetas tiveram que mudar para diferentes bairros, para diferentes apartamentos, quartos ou casas.
Na idade do nomadismo global, a afirmação “home is where the heart is” não é suficiente para explicar onde e porquê escolhemos um lugar para nos estabelecermos. Para nos sentirmos em casa, todos nós tentamos da melhor forma criar condições mínimas enquanto as políticas de direito à habitação, à imigração, à empregabilidade e à propriedade afectam directamente e drasticamente a forma como se vive.
Neste sentido, interessa a Julia e Sezen saber o que “casa” significa para pessoas de diferentes culturas, idades, condições económicas, entre outros critérios. Esse significado reflecte em como todos nós criamos e habitamos o nosso espaço no planeta. Que espaço é esse que consideramos casa? Como transformamos o espaço físico em afectivo? Como ocupamos um espaço para transformá-lo em nosso? E como o espaço nos ocupa, nos constitui e nos transforma?
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