FoFo
A nova criação da artista Ana Rita Teodoro explora a estética fofo (cute em inglês, Kawaï em japonês, mi-mi em francês) nas suas implicações sociais e políticas. Trata-se de uma peça coreográfica que procura expor o fofo enquanto ferramenta de apaziguamento do pensamento crítico (capitalismo, consumismo), ao mesmo tempo que revela o fofo como uma possível estética emancipatória no panorama da dança contemporânea, onde o minimalismo, a força lenta, a não agressividade, o prazer, se colocam face à velocidade, à agressividade e à dureza dos tempos de hoje.
O FoFo é uma estética que têm vindo a ser investigada e analisada por diferentes teóricos da história da arte, da sociologia e da filosofia nos últimos anos. Forma um pilar importante no desenvolvimento das sociedades de consumo e na manipulação de massas, sendo o Japão é um exemplo central.
Observar como se encontra presente em diferentes domínios, na arte, na literatura e no mundo das mercadorias, permite-nos compreender em larga escala a força inerente da “estética dos sem-poder” (powerlessness) como definida por Sianne Ngai. Justamente, na sua investigação em torno da estética “cute” – The cuteness of the avant garde — torna-se evidente que esta não poderá mais, ser marginalizada no mundo da Arte.
Durante o período de criação foram realizadas duas oficinas de pesquisa com adolescentes no Centro Cultural do Cartaxo e Escola Secundária de Alcanena, a partir de práticas de dança, de improvisação e de Butoh.
Diversos