Tempos Livres
Tempos Livres desenvolve-se a partir do livro ‘A vida das plantas’, de Emanuele Coccia. Este ensaio poético e filosófico, baseia-se no ponto de vista das plantas – das folhas, raízes, flores – para compreender o mundo não como uma simples colecção de objectos, mas como um espaço de mistura metafísica, onde tudo interage com tudo e onde todos os seres vivos partilham o mesmo sopro. A descrição que Coccia faz da relação de uma planta com o seu meio ambiente sugere-me a experiência de um corpo que dança e anima o que entendo como dança. Tanto a planta como o bailarino estão em constante exposição e comunicação com o ambiente envolvente e são ambos “criadores” do mundo à sua volta.
Interessa-me investigar esta relação entre sujeito e espaço envolvente, onde ambos estão interligados, e compreender como um influencia, transforma e define o outro, reciproca e continuamente. A partir desta relação dá-se atenção ao ar e ao sopro, à voz e ao som, como meios que atravessam a barreira dos corpos. O corpo torna-se espaço e o espaço torna-se corpo. Esbate-se quem é activo e quem é passivo, quem move e quem é movido. Propõe-se um lugar de imersão, de permeabilidade, de circulação e fluidez de matérias e significados, diluindo barreiras, na tentativa de aproximar, e talvez até confundir, o bailarino, o espaço cénico e o espectador. Tempos Livres é uma possibilidade para experimentar a nossa natureza impermanente, interdependente, móvel, porosa e partilhável.
Teresa Silva
Diversos