S/Título #8
Em cena, vemos um escultor criar em tempo real uma peça escultórica enquanto elementos exteriores – manuseados pelos actores – contaminam, emolduram, documentam, interferem, impedem, potenciam ou simplesmente criam planos paralelos à acção. A execução desta escultura não só constitui o cerne do espectáculo como também o invade, o atrapalha, o enaltece, o acalma ou o questiona. Seja através do ruído, das exigentes necessidades técnicas, do desafio formal que propõe ou do diálogo que poderá estabelecer com os actores, o escultor e os seus materiais assumem um jogo teatral e visual possibilitando uma nova revisão da relação entre aquele que faz a obra, o ojecto criado e tudo aquilo que alimenta e destabiliza a sua concepção. O mistério que envolve a criação de uma escultura suscita a curiosidade dos actores que ora tentam compreender, ora desejam testar os limites do ímpeto do artista que a constrói.
E tudo isto, poder-se-ia dizer, consiste numa ideia de teatro que estes actores, fazendo parte de um colectivo, pretendem reflectir: a criação enquanto “recreio”, espaço de liberdade e de experimentação; o próprio espectáculo enquanto processo criativo, bruto, vivo, que escapa ao controle de cada intérprete/criador, em permanente evolução, por oposição à ideia de obra acabada, detalhadamente definida e completa, erigida a partir de um olhar exterior e unidireccional.
Diversos